Modalidades
da criação de cães.
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A
criação de cães é uma
atividade com algumas modalidades.
Há a criação esportiva, feita por quem é apaixonado
pela raça e gosta de competir com outros criadores, mostrando
seus campeões e campeãs nas pistas de Beleza ou de
Trabalho. O criador que opta por esta linha de ação
busca sempre o melhor exemplar. Nem sempre um cão é adequado
para qualquer competição à qual a raça é habilitada.
Por exemplo, os campeões de Agility não são
obrigatoriamente os mais belos e tampouco os campeões nas
pistas de Beleza são sempre os mais ágeis.
Isto poderia nos levar a crer que o padrão de beleza é incompatível
com as funções para as quais a raça foi desenvolvida,
mas não é bem assim.
Numa competição de alto nível, os exemplares
têm que ser os melhores para aquela atividade, com diferenças
sutis de performance que fazem a diferença entre um campeão
e um mero competidor.
Assim, embora as proporções anatômicas e o
balanço geral do cão, segundo o padrão, existam
para lhe proporcionar a melhor eficiência nas atividades
que esteja apto a praticar, muitos detalhes de pelagem, massa e
balanço, insignificantes para uma pista de Trabalho, podem
ser a diferença que leva ao “podium” em uma
pista de Beleza.
Este tipo de criação demanda investimento em exemplares
que possuam ótima retrospectiva na competição
que o criador escolher. Muitas vezes a criação se
concentra na aquisição de cães ou na compra
de cobertura de cães que estejam no topo dos campeonatos. Às
vezes, sem investir no desenvolvimento de um cão, a criação
esportiva se resume na propriedade de exemplares competitivos,
adquiridos de outros canis, e na preparação e investimento
na campanha do animal.
Há também, motivada pela grande demanda por animais
domésticos que levou a termos mais pet shops que padarias
nas nossas cidades, a criação comercial que visa
atender ao público amador interessado em ter um animal de
estimação para guarda ou companhia.
Esta demanda, em geral, é diretamente influenciada por fatores
externos de mídia. Por exemplo, a mascote de uma celebridade
em evidência ou o surgimento de um herói canino de
novela ou cinema aumenta substancialmente a procura por cães
da mesma raça, por algum tempo.
O consumidor desses produtos normalmente não está interessado
em algum ponto específico da qualidade do animal. Geralmente
costuma se ater às características gerais como tipicidade
de temperamento, porte, dificuldades de manejo com pelagem e, no
máximo, com patologias mais freqüentes à raça.
Por isso, um criador comercial precisa ter versatilidade para atender às
variações de procura por uma ou outra raça.
Geralmente, até por falta de exigência do consumidor,
não se preocupa com a seleção de exemplares,
comprando ninhadas inteiras de proprietários de cadelas
paridas para revenda ou promovendo cruzamentos que dependem apenas
dos ciclos de fertilidade das cadelas e da disponibilidade de machos.
Esses cruzamentos indiscriminados costumam promover a degradação
do padrão da raça pois não se baseiam na compatibilidade
das linhagens, facilitando a manutenção de desvios
do padrão nos produtos.
Além do mais, criadores comerciais de pouca idoneidade podem
oferecer produtos com alto risco de patologias decorrentes de ascendência
portadora de deficiências orgânicas ou tendências
genéticas pois não costumam descartar da reprodução
os exemplares inadequados.
Há também a criação cujo propósito é a
produção do “cão ideal”, feita
pelo prazer de se pesquisar, experimentar e desenvolver um cão
ou uma linhagem de cães que tenha as características
consideradas ideais pelo criador. Este tipo de criador é o
que desenvolve a raça, o que permite a evolução
dos exemplares ao longo do tempo. E é também o que
permite termos várias linhagens e, em alguns casos, variedades
dentro de uma mesma raça com aptidões diferentes
e com particularidades próprias, o que enriquece o universo
da cinofilia.
Não raro, surge nesses canis o desenvolvimento de uma nova
raça de cães.
A criação para o desenvolvimento da raça trabalha
com pesquisa, com experimentos de cruzamentos, com análise
criteriosa dos resultados. Não pode ser um empreendimento
porque não visa produzir filhotes mas sim desenvolver uma
linhagem. A produção de filhotes é decorrência,
não objetivo do canil.
Por isso esta produção, a depender do tamanho do
plantel do criador, é esporádica e a comercialização
pode ser onerada por custos inerentes à baixa oferta. A
contrapartida é a qualidade dos produtos, resultado da escolha
criteriosa dos pais e da análise de compatibilidade das
linhagens.
Os criadores de desenvolvimento podem e procuram expor seus produtos
com o objetivo de apresentar resultados, ter seu trabalho avaliado
por especialistas e gozar do orgulho de serem reconhecidos no meio.
Mas, muitas vezes, o fazem através de outros criadores,
que compram os filhotes e investem na competição.
Uma criação equilibrada normalmente envolve todas
estas modalidades:
a) O desenvolvimento de cães visando uma meta pré-estabelecida
pelo criador, que implica num trabalho de paciência e perseverança,
já que para cada “experiência” apresentar
resultados concretos para análise demora no mínimo
um ano e as matrizes não podem ser utilizadas seguidamente.
Além disso, os resultados precisam ser consistentes ao longo
de muitas gerações caninas, isto é, é trabalho
para uma vida;
b) A exposição dos produtos em pistas de competição,
para que sejam avaliados por juízes e especialistas isentos
e demonstrem publicamente suas melhores características,
confirmando não só as qualidades dos exemplares mas
também sua capacidade de transmiti-las, através de
gerações que constantemente têm sucesso nas
pistas;
c) A venda criteriosa de produtos, não só para outros
criadores, mas para o público amador como meio imprescindível
para a divulgação da raça, para a formação
de critérios de qualidade nos consumidores e para garantir
a preservação da raça que cria, uma vez que
promove a existência de muitos exemplares com as características
originais do padrão estabelecido.
Além disso toda criação, praticada em qualquer
modalidade, precisa manter sempre e indiscutivelmente a seriedade
e a ética, para que os filhotes e cães produzidos
ou mantidos no plantel sejam animais felizes e proporcionem felicidade
aos que os possuem.
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