O
Bóxer e a Gente ........................
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em pdf 
Por
Fábio Savastano
Canil Urumarana
Desde
há alguns anos eu venho estudando e convivendo intensamente
com os bóxers, no começo com o entusiasmo de proprietário
e logo depois como criador.
Uma vez vivi uma das experiências mais interessantes com
essa raça maravilhosa. Nós do Urumarana, juntamente
com o Lúcio, do Grow Kennel e o Pablo Webar e sua equipe,
do Social Dogs, levamos alguns de nossos cães a uma conceituada
instituição de saúde em Brasília, para
alegrar a tarde de pessoas que enfrentam uma difícil fase
em suas vidas.
Há muitos estudos sobre a importância de animais no
tratamento da saúde física e mental dos humanos,
tanto com a função de suprir capacidades perdidas,
emprestando seus olhos, sua mobilidade e suas percepções
aguçadas, quanto com a função de provocar
sensações afetivas, aumentar a auto-estima e propiciar
uma razão a mais para se sentir melhor. Para nós,
criadores, dar ao nosso empenho e dedicação uma razão
a mais que a de promover a melhora da raça é muito
gratificante. Afinal, nosso esforço ultrapassa as fronteiras
do clube de criadores e das pistas de exposição para
adquirir nova dimensão com um verdadeiro propósito
social.
Quando nossos cães começaram a circular pelos imaculados
corredores, causaram espanto e fascínio. A surpresa foi
logo substituída pela incontrolável vontade de se
aproximar e tocar aqueles animais tão briosos, de expressão
tão meiga.
Embora eu soubesse da eficiência terapêutica do contato
entre gente e cachorro, não pude deixar de me surpreender
com o brilho no olhar daquelas pessoas. É claro que algumas,
inicialmente, recearam se aproximar. Mas a expressão e a
tranqüilidade dos bóxers facilmente as convencia a
tocar, acariciar e deixar-se lamber...Foi um evento memorável,
que culminou com um belo show de Agility e de obediência
dos cães do Social Dogs.
Outro fato que também me fez refletir, foi a grande adequação
da resposta dos animais. Tínhamos, como criadores e estudiosos,
segurança de que tudo correria bem dado o caráter
estável dos bóxers, embora os cães levados,
exceto os experientes “artistas” do Pablo Webar, fossem
animais sem qualquer treinamento em ambientes com tantas pessoas
tão próximas e tão interativas.
A maioria dos contatos mais intensos ocorreu com pessoas em cadeiras
de rodas, com muletas, órteses e próteses e com gente
com grande dificuldade de comunicação com outros
humanos, mas os cães foram pacientes, calmos e atenciosos,
curiosos com aquela variedade tão inusitada de formas de
expressão e carinho. Comportaram-se exatamente como se espera
de um bóxer de bom pedigree.
E porque não estranharam aquele ambiente inusitado e aquelas
pessoas expressando-se diferentemente e portando equipamentos tão
inusuais? Certamente porque para eles, aqueles apetrechos não
são mais estranhos que as roupas que os humanos normalmente
usam. Certamente porque para eles, a forma de reconhecer a gente é olhando
nos olhos e percebendo as nossas almas humanas e não certos
detalhes, para os cães, totalmente insignificantes.
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