PEDIGREE – Porque pagar por um........................................................versão
em pdf 
Por
Fábio Savastano
O
que é?
O que vem a ser esse nome estranho que é sempre falado
quando o assunto é um animal de criação?
O pedigree é o registro do parentesco ascendente dos
animais chamados de raça pura. Este registro é
feito em entidades oficialmente reconhecidas e, dentro do alcance
de cada uma, tem aceitação de idoneidade e valor
como documento legal.
No pedigree canino estão registrados todos os ascendentes
imediatos: pais, avós e bisavós, totalizando quatorze
nomes fora o do próprio cão. Cada nome vem acompanhado
dos títulos que eventualmente tenham sido obtidos pelos
animais até a data do registro.
Consta também uma descrição sucinta do
cão, o nome do criador (dono da mãe), do proprietário
e o número de registro. Cada entidade tem uma estrutura
típica para o número de registro.
No Brasil, para cães nascidos aqui, ele é composto
de três grupos de dígitos que indicam o clube cinófilo,
o ano e a ordem de entrada do pedido de registro naquele ano.
A entidade brasileira oficial de registro de pedigrees caninos
é a CBKC, Confederação Brasileira de Cinofilia,
que é filiada à FCI, Fedèration Cinologique
International.
Portanto todos os registros oficiais de cães brasileiros
são submetidos à FCI, que os analisa e guarda
para evitar homônimos em qualquer parte do mundo.
Para qualquer evento oficial envolvendo cães de raça
pura, é necessária a apresentação
do pedigree. O cão só pode ter o registro do pedigree
se todos os seus ancestrais forem registrados como da raça
em questão e se apresentarem as características
que são definidas pelo padrão. As exceções
são para raças em desenvolvimento ou para raças
que aceitam a presença de ancestral fora do padrão
a partir de um certo número de gerações
anteriores.
Assim, quando falamos de um cão com pedigree, estamos
falando de um animal cujos ancestrais são conhecidos,
são da mesma raça e apresentam o padrão
daquela raça dentro de variações aceitáveis.
Como só podem transmitir o pedigree os cães que
sejam registrados, pode-se levantar todos os ancestrais de um
animal até a origem do registro do primeiro cão
da raça.
Porque exigir um pedigree?
Para entendermos as razões de se criar um sistema internacional
de registro de cães, com seu parentesco e características,
precisamos falar de genealogia.
As características de todos os seres vivos são
determinadas pelo seu material genético, o DNA. O DNA
é uma estrutura orgânica localizada dentro das
células e cada fragmento deste DNA, capaz de transmitir
uma característica específica, é chamado
de gene. Cada um dos aspectos que formam um ser, como porte,
cor da pele e dos pêlos, cor dos olhos etc, é determinado
pela interação de dois genes, que são chamados
de alelos, pois atuam na definição de um mesmo
aspecto. Para a formação de um filho, as células
reprodutivas do pai e da mãe dividem-se em duas, cada
uma ficando com um único alelo determinante de cada aspecto.
Ao se unirem, as células da mãe e do pai irão
recompor o número de genes, e novamente haverá
dois genes alelos para cada característica, um vindo
do pai e outro vindo da mãe. A interação
destes alelos irá definir as características do
filho, e desta forma, o filho carrega a carga genética
(e as características) do pai e da mãe, meio a
meio.
Ao desenvolvermos uma raça específica de cães,
o que fazemos nada mais é que provocar o cruzamento de
pais e mães com características peculiares que
queremos preservar e evitar cruzar animais que apresentem características
que não queremos na raça. Assim, com esses intercruzamentos,
vamos desenvolvendo animais cara vez mais parecidos entre si
e chegamos a um padrão.
As raças foram e são ainda hoje desenvolvidas
com algum propósito, seja estético, seja funcional.
Temos cães desenvolvidos especialmente para guarda, outros
para companhia, outros mais para tração, pastoreio,
caça e muitas outras razões. A escolha é
feita pelas características morfológicas e de
temperamento dos antecessores até a formação
do padrão da raça.
Então, ao procurarmos um cão com pedigree, sabemos
quais as características devemos esperar daquele exemplar.
Qualquer
pedigree serve?
Seria muito bom que as coisas fosse fáceis assim. No
entanto a transmissão de características genéticas
não é uma ocorrência exata. Não bastasse
as muitas combinações possíveis dos pares
de genes, ainda temos fatores de dominância e recessividade
que fazem com que os genes se “manifestem” ou não
nas características do animal a depender do alelo que
compõe o par. Muitas vezes, por conta da ocorrência
de genes recessivos e “escondidos” na carga genética
dos pais, alguns filhos saem completamente diferentes dos seus
progenitores, apresentando características morfológicas
e de temperamento não percebidas nos ascendentes, tanto
para o bem como para o mal. Muitas doenças e malformações
são manifestações genéticas de genes
recessivos que encontraram um par adequado para se impor.
Por isso, o cruzamento indiscriminado e não seletivo
de cães, mesmo com pedigree, pode provocar um retrocesso
na evolução da raça em busca do padrão.
Uma criação criteriosa visa manter e aperfeiçoar
as características dos exemplares focando sempre se aproximar
do ideal do padrão estabelecido. Assim, o criador tem
que analisar os casais e não só seus ascedentes
como também seus descendentes para ter mais chances de
promover um cruzamento que atinja seus objetivos com o menor
risco possível de desvio do padrão. São
procuradíssimos pelos criadores sérios, os cães
que, além de representarem bem a raça em todas
as suas características, ainda demonstram capacidade
de transmitir essas características. São os chamados
“raçadores”. Do mesmo modo, são descartados
para procriação animais que apresentarem manifestação
de carga genética degenerativa, mesmo que isso represente
a frustração de um alto investimento.
Também se fazem cruzamentos baseados as “linhas
de sangue”, a partir de experiências bem sucedidas
de cruzamentos entre descendentes de duas linhas de parentesco.
Criar é ter disposição para a pesquisa,
ter paciência e perseverança, porque não
é sempre que o resultado é o esperado.
Como a criação é um negócio, obter
um bom padreador ou uma matriz adequada é sempre mais
caro, o que leva alguns “criadores” a descuidar
da genealogia.
Por isso, caso não saibamos ler um pedigree e analisar
as potencialidades do cruzamento, é importante pelo menos
conhecermos os pais do filhote que estamos interessados em adquirir.
Mais importante que isso é sabermos se o criador visa
a evolução dos seus produtos em direção
ao padrão da raça ou se apenas investe na produção
de filhotes para venda.
Fábio
Savastano, arquiteto, proprietário do canil Urumarana
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